Congueiros, católicos, devotos de São Benedito e visitantes, todos participaram na noite do último domingo (17/5) da procissão e missa em homenagem à São Benedito, em Ilhabela. Os fiéis percorreram as ruas da Vila (Centro) e depois se dirigiram à Igreja Matriz Nossa Senhora D’Ájuda e Bom Sucesso, onde assistiram à missa. O prefeito de Ilhabela, Toninho Colucci, participou da procissão de São Benedito.
A Congada de Ilhabela, a maior manifestação folclórica cultural caiçara, atravessou o tempo chegando aos dias de hoje com muitas características originais. Acredita-se que este ritual é repetido há mais de um século e meio, mantendo-se as falas, a música, os trajes e a representação. Os atos principais da congada são: o levantamento do mastro de São Benedito, baile dos congos, meia lua, ucharia, bolo de São Benedito com distribuição aos congueiros mirins, crianças presentes e à população.
A dança é encenada por dois grupos que se desentendem, por quererem ambos festejar São Benedito. A dramatização tem partes faladas, cantos e danças, ao som da marimba de madeira e de atabaques. Todos aqueles que fazem parte na Congada de Ilhabela, congos e tocadores, participam por promessas suas ou de seus familiares. Os congueiros se consideram “escravos” de São Benedito, se dizem “promesseiros” e nunca se apresentam em outra ocasião a não ser durante a Festa em homenagem ao Santo.
Os festejos religiosos iniciam-se com um tríduo preparatório, festa eclesiástica que acontece em três dias. Nos últimos anos, o grupo da Congada de Ilhabela é constituído, em média, por 45 pessoas. Existem participantes de todas as idades. Os meninos mais novos são, geralmente, filhos ou netos de pessoas que já fazem ou fizeram parte na Congada, conhecendo, portanto, o enredo da representação desde pequenos.
Os congos ou congueiros, para a representação, são divididos em dois grupos. O primeiro é formado pelos Congos de Cima, que compreende os Fidalgos ou Vassalos, considerados “cristãos”, e que simbolizam, de forma confusa, os “Pares de França”, com seu Rei. O segundo grupo é formado pelos Congos de Baixo ou Congos do Embaixador, que são os “não batizados”, pagãos, mouros ou infiéis.
As figuras principais são o Rei, o Embaixador e o Secretário. A Rainha tem apenas função decorativa. Os congos se apresentam em fileiras de dois, com a frente para o Rei e sua Rainha, guardando uma certa distância do Embaixador.
Nenhum comentário:
Postar um comentário